Estrelas salpicavam o
enorme céu negro sobre sua cabeça. Olhando para elas, em sua organização
desorganizada, desejava reconhecer as constelações. Desejava conhecer o segredo
por trás de tanto brilho. Mas era leigo nesses assuntos, não saberia reconhecer
o cruzeiro nem se ele estivesse debaixo de seu nariz. Tudo que seus olhos viam
eram pontos brilhantes no céu. Brilhantes demais para um dia tão ruim.
As luzes amarelas dos
postes banhavam John quase como um holofote, ele era a atração principal daquele
show sem plateia. Atado a uma cadeira, sentia as mãos ficarem dormentes
amarradas atrás do encosto. Os tornozelos estavam atados com semelhante
intensidade e sentia os cordões se afundando em sua pele “Vai deixar uma marca feia para quando a polícia encontrar meu corpo”, ele
pensou tristemente.
Na sua frente, apenas
uma parede velha, ninguém nem sequer havia se incomodado em grafitá-la. Se ele
soubesse de existência daquela parede alguns meses antes poderia muito bem ter
sido o primeiro a fazer uma arte ali, mas agora era tarde demais pra pensar em
traquinagens.
Suspirou na cadeira de
madeira, já estava quase se sentindo parte dela. Estavam demorando demais, era
injusto que o deixassem tanto tempo esperando. A espera estava deixando-o
inquieto, ou pior, esperançoso. Talvez aquilo só fizesse parte da tortura.















