Estava
escuro na primeira vez em que eu o vi, mas, ainda assim, exerceu alguma espécie
de fascínio sobre mim. Ele não era um galã de novela, pelo contrário, nada mais
que normal e se fosse pra escolher um lado a mais, a maioria das mulheres diria
que ele estava até mais para o feio, mas pra mim desde o primeiro momento ele
era bonito, bonito de um jeito torto, mas bonito. Tocava Los Hermanos no seu
carro e talvez isso tenha afetado minha visão dele de forma positiva, ele era
amigo de um amigo e eu achei, não, eu jurei que nunca mais ia vê-lo depois
daquela carona.
Naquele
dia em que o vi, também jurava que não terminaria meu namoro, mas terminei,
talvez as pessoas tenham razão sobre juramentos, eles não são nada mais do que
tiros no escuro.
Pra
me arrancar das mágoas do fim o tal amigo em comum me chamou para o cinema,
perguntou se podia levar outro amigo e quando dei de cara com o tal amigo lá
estava ele, vai ser mentira se eu disser que fui indiferente, eu não fui. Dizem
que taurinos tem esse magnetismo e eu, pobre pisciana, fiquei com cara de
tonta, olhando pra aquele homem, admirada. Ele tinha o mundo em um sorriso e
eu, que havia vivido sempre em uma redoma, não conhecia sorrisos como aquele,
nem o mundo que ele me mostrou depois. Se eu pudesse dar uma definição de
liberdade na minha vida eu diria que foi o que eu tive com ele.